Sopro Noturno

 Sopro Noturno

Sinto o sopro em minha espinha. Um vento gelado que penetra pela janela de meu quarte e invade meu corpo. Ainda ouço sua voz me chamar, me implorar ajuda, suplicar piedade.
Mas como posso ajudar o que não posso ver? Como se ajuda uma voz que grita dentro de sua cabeça?
Quero silêncio!
Quero poder deitar à noite sem ficar surda com os gritos de dor de minha alma, sem encharcar meu travesseiro em minha amargura triste.

Quero meus ouvidos surdos.
Quero meus olhos secos.

Se eu pudesse, nesse momento, pedir pela visão mais bela e perfeita que posso imaginar minha boca não hesitaria… E do alto, distanciando, poderei ver meu leito a enrubescer com minha vida a lhe banhar.

Sopro Noturno

Apenas uma carcaça vazia movida a engrenagens desconexas, que busca alívio nas palavras vãs de um desabafo doloroso.

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