Orações não atendidas…

Você já teve vontade de que tudo chegue logo no fim?

Vontade de dormir e não acordar mais?

Desde pequena meus pais me ensinaram a rezar todas as noites antes de dormir e agradecer pelo meu dia de vida, pelo lar, pelo alimento em nossa mesa e pela nossa saúde. Coisa que sempre fiz, mesmo nos dias em que eu estava cansada. Algumas coisas eu acordava assustada ao me lembrar que tinha esquecido de rezar e começava a fazer o ato mecânica no meio da madrugada.

Sim, havia se tornado um ato puramente mecânico, daqueles que você faz automaticamente, sem sentir o que está dizendo.

Mas o tempo começou a passar e logo me vi em rezando todas as noites, com lágrimas nos olhos. Eu já não agradecia pelas coisas que passei anos repetindo, mas sim implorando pelo meu fim.

Não sei dizer ao certo quando tudo começou, mas eu nem tinha completado meus 18 anos e implorava que isso nunca chegasse. Também nunca tive algo específico em mente que me fizesse ter algum pavor dessa idade. Simplesmente era um número qualquer que me serviu de “meta” para o fim.

Apenas quando eu deixei de agradecer e fazer esse pedido, que pude começar realmente a sentir a oração. Eu cuspia as frases sem emoção nenhuma e então o meu pedido realmente começou a ser algo que meu coração clamava, que meu corpo e mente pediam. Em algumas noites, quando a tristeza era maior que o habitual, acho que eu passava mais tempo implorando pelo fim do que declamando a oração…

E o tempo continuou passando e meus dezoito anos chegaram. Me recordo de ter ficado quase duas horas apenas implorando para me levar logo. Embora eu não tivesse nenhuma certeza se eu iria para algum lugar mesmo, ou se tudo iria terminar ali, eu apenas queria isso, era o que meu corpo e alma ansiavam…

Minha meta de dezoito anos não foi cumprida, nem a de vinte ou de vinte e cinco. E a cada vencimento, meu pranto era infindável. Eu costumava ter cada vez mais crises de choros, onde eu soluçava e chegava me encher de socos e dar cabeçadas na parede.

Foi quando minhas noites mudaram…

Por volta dos vinte e cinco anos eu parei de rezar. Nunca adiantou nada implorando com todas minhas forças e coração, meu pedido nunca era atendido. Não havia mais razão para me deitar na cama e conversar dom Deus.

Nunca consegui ter força suficiente para que eu mesma acabasse com minha vida, sempre fui imprestável, inútil e fraca até para isso. E sei muito bem que muitas pessoas que virão a ler este desabafo irão apelas para explicações e comentários com embasamentos religiosos do tipo “Ainda não sua hora”. “Deus sabe o que faz”, “Era coisa do Demônio te atentando” e afins. Então por favor, se for para dar essas explicações vazias ou me pedir para procurar Deus, por favor, abstenha suas palavras.

Hoje já passei dos meus trinta e cada dia é uma luta contra o vazio que parece apenas estar crescendo aqui dentro. Contra esse buraco negro faminto que me devora. Contra essas lágrimas que lavam meus rosto noite após noite.

Não é fácil passar todos esses anos esperando por algo que você tanto almeja e não ter nenhum sucesso. Aos poucos vou perdendo o restinho de esperança que ainda tenho e começo acreditar que vou me tornar uma velhinha solitária, depressiva e triste…

E este desabafo será apenas mais um de frustração e revolta consigo mesma.

Orações não atendidas…

Apenas uma carcaça vazia movida a engrenagens desconexas, que busca alívio nas palavras vãs de um desabafo doloroso.

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