Monólogo com a Escuridão

Monólogo com a Escuridão

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Ei vc, no canto abraçando os joelhos!
Olho e nada vejo além da escuridão
Falando com vc mesmo. Não terá perdão!
Tento ver, esfregando os inchados olhos.
Você não pode me ver, só sentir
Um calafrio passa por minha coluna
E claro, também pode me ouvir
Perdão. Lembro-me como ela era una
Tolo, lembra dela sem motivo!
Rapidamente me sinto perto dela
Ela não está aqui. Em você só eu vivo!
Logo a sensação se vai, bela
Sente isso? Essa dor abrasiva?
Encolho-me, retorço-me e dobro-me
Sou aquela que acompanha os sós
A dor… Sinto o peito a formar nós
Estás cativo de mim, não dela
Espamos, dores da alma, sequela
Ainda não sabes meu nome, tolo?
Sentia no peito forte desconsolo
Ando com aqueles pobres que estão solos
Algo espatifa: quebrou dentro e emergia…
Sou a única que ficara em seus colos
Sinto minha alma vazar pelos meus olhos
Não choras por ela, choras por mim
Me encolho tentando preencher a mim mesmo
Suas lágrimas são minhas, só para mim
Um grito silencioso preso no peito a esmo
Sou a última companheira que todos terão
Eu já sabia quem era, prenúncio do meu fim
Vês, choras e agonizas apenas por mim
Finalmente a vejo na escuridão: a solidão
Envolvo-te em meu ventre: as sombras
Sinto meu sangue congelar e formigar
O que sentes são todas as minhas obras
Grito em silêncio e no breu estou a afogar
                                         — RYTS, o chato de galochas

 RYTS

Monólogo com a Escuridão

Apenas uma carcaça vazia movida a engrenagens desconexas, que busca alívio nas palavras vãs de um desabafo doloroso.

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