Lady Fae e a Chegada ao Asylum

Lady Fae e a Chegada ao Asylum

A noite ainda estava escura quando as portas da carruagem se abrem. Ao longe ainda consigo ver as luzes da cidade tentando se sobressaírem contra as trevas e a tempestade que desabada.
Vendo pela outra janela, as portas de meu novo lar, desbotadas, grandes e nada convidativas, se abrem e vejo uma mulher com roupas brancas, cabelo negro preso em um coque e cara de poucos amigos, que já me espera descer. E pela cara dela, está com pressa que eu faça isso logo. Asylum… Novo lar para garotas problemáticas é o que eles dizem, inferno é o que eu diria.
A cobertura da sacada impede que eu me molhe muito enquanto corro para dentro, mas mesmo assim, essa água gelada molha meu corpo, minha roupa e minha mala. Alias a única mala que tive tempo de fazer antes de me jogarem à força dentro da carruagem.
Ela me dá as costas e começa a caminhar para dentro, e eu a sigo espantada.
O lugar é triste, escuro, com ares de solidão e rusticamente decorado. Ela pega uma prancheta que estava em cima e uma escrivaninha antiga e continua andando, lendo em meia-voz e realizando comentários…
Caso número: 223
Data de Admissão: 26 de Dezembro de 1491.
Nome: Fae (sobrenome desconhecido)
Idade e Sexo: 17 anos, feminino.
Familiares: Desconhecidos
Profissão: Humm…
Hábitos de Vida: Isso talvez possa significar alguma coisa…
Hábitos Religiosos: Nenhum
Trazido por: Senhora Mornington, Diretora do Asylum, FWVG.
Forma de Insanidade: Demência melancolia combinado com dupla personalidade, esquizofrenia e depressão.
Suposta Causa: Desconhecida
Indivíduo Suicida: Sim
Perigoso para os demais: Sim
Destrutivo para a propriedade: Sim
Estado de Saúde Física: Hmmm… Doente mesmo.
Marcas de Violência: Cortes e Hematomas. Auto-infligidos com certeza.
Fatos Observados para serem Registrados no Atestado Médico:
– Alega ouvir vozes à noite
– Propensão a crises de melancolia, intercaladas com breves períodos de excitação.
– Alterações bruscas de personalidade, onde alega ser uma dama inglesa do Século XV.
– Frequentemente aparenta estar delirando, dizendo que ouve vozes que conversa com ela.
– Tem feito inúmeras denuncias contra os seus tutores que, como são pessoas respeitavelmente de índoles inquestionáveis, estima-se que ela esteja realizando alegações falsas, provenientes de seu estado mental febril.
– Percorreu a cidade com roupas insuficientes e inadequadas, com ações perturbadoramente pecaminosas e carnais.
– Tentativa de suicídio pro afogamento. Credo… Que falta de Originalidade…
Despacho assinado por: Humm… Mais um que ele me envia…
Ela para no meio e um corredor com um lance de escadas que sobem ate o infinito e, com cara de desaprovação, me encara e começa falar.
– Agora minha criança… Eu detesto confusão e odeio qualquer barulho, por mais insignificante que seja.
E vejo que isso é verdade, pois o silencio daqui é enlouquecedor, só ouvindo os passos aterrorizantes e o respirar abafado.
– Então peço sua colaboração. Bom, como pode ver, sou preparada para extrair a sua colaboração seja por sua própria vontade ou de outra forma necessária… você pretende vir silenciosamente garota?
– Madame, eu serei tão quieta que pensará que estou morta.
– Brilhante! Brilhante! Bastou os ares de meu Instituto para colocar um pouco de juízo e sanidade nessa cabeçinha oca.
Embora eu estive sendo puxada por minha coleira pela minha treinadora, eu sabia, no fundo, que esse lugar não iria me segurar.
– Meu Instituto é referencia no tratamento de pessoas que, como você, não mais estão aptas para o convívio em sociedade. Sessões de terapia com choque e uma lavagem cerebral serão mais do que suficientes para inibis essas suas atitudes medíocres e…
“Ela não vai nos segurar por muito tempo.”
– Quem é você?
“Eu sou a Capitã”
– Mas o que é isso?
Olho em volta, mas não tem mais ninguém, somente essa mulher mexendo a boca sem que nada de som saia dela…
– Olá? Ainda está ai? Eu te ouvi de novo… Sei que ainda está ai. Fala comigo!

“A Consciência é a inimiga da Sanidade e uma vez que tenha ouvido meu grito, ele nunca mais irá terminar…”




((( Lady Fae no Asylum – Capítulo 01))) 




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Apenas uma carcaça vazia movida a engrenagens desconexas, que busca alívio nas palavras vãs de um desabafo doloroso.

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