Emilie Autumn

Emilie Autumn

Estamos em 1822, num asilo psiquiátrico afastado da cidade de Londres. As detentas, W14A e suas companheiras Bloody Crumpets, passaram anos sendo trancadas em celas, servindo como experimento para os médicos, que diariamente as tratavam de modo desumano. Mas, certo dia, elas se revoltaram contra eles, que sofreram as devidas consequências num dia muito sangrento. Agora que elas dominaram o Asilo e recuperaram sua liberdade física e mental (será?) aproveitam para se reunir às 4 horas, afinal é hora do chá.
Parece filme do Tim Burton, mas é roteiro do show burlesco circense musical, liderado pela cantora e violinista Emilie Autumn em turnê do seu último album, “Opheliac”. Mas, apesar dos figurinos, cenários e todo contexto vitoriano, essa história é mais real do que vocês imaginam.
Em 1979, na cidade de Malibu – Califórnia, nasceu Emilie Autumn Lidell. Aos 5 anos ela pediu um violino a mãe e desde então praticou diariamente. Quando cresceu, resolveu ligar seu instrumento favorito num amplificador de guitarra e mixar suas músicas com sintetizadores, tudo isso vestida com coturnos e asas de fadas. Nasceu aí o álbum “Enchanted“, em 2003. Mas antes disso, a diva já havia mostrado seu talento com seus álbuns instrumentais clássicos.
Fase do álbum "Enchanted"
Dona de um som único e anárquico, Emilie foi chamada para tocar seu violino ao lado de artistas como Courney Love (Hole) em 2004 e Billy Corgan (Smashing Pumpkins) em 2006. Apesar de isso ser algo legal de comentar, a própria Emilie não curtiu muito essas parceria, já que disse numa entrevista pro site Vampire Freaks que foi uma perda de tempo ajudar os dois, sendo que poderia ter se dedicado à sua própria carreira musical.
Em 2006 Emilie lançou seu segundo álbum, “Opheliac” (Ophelia é uma personagem da obra Hamlet de Shakespeare, que enlouquece e se afoga). Basicamente as músicas falam de suicídio, sofrimento, desilusões e ao mesmo tempo sobre lutar por si mesma sem medo… Os assuntos podem parecer pesados, mas são um reflexo da vida super conturbada da cantora, que teve que superar coisas bem difíceis como ausência dos pais, estupro na adolecência, aborto e bipolaridade. Qualquer um surtaria com essa lista! E com ela não foi muito diferente. Após uma tentativa de suicídio, seu médico a aconselhou a se internar num asilo psiquiátrico, e desse período de internação rendeu não só o livro “Asylum for Wayward Victorian Girls” mas também o álbum “Opheliac”. Aliás, Emilie costuma fazer sessões de leitura em voz alta de trechos do livro para seus fãs.
Livro: THE ASYLUM FOR WAYWARD VICTORIAN GIRLS”Livro: THE ASYLUM FOR WAYWARD VICTORIAN GIRLS
“Página do livro”
Página do livroPágina do livroPágina do livro
“Leitura do Livro”
Leitura do Livro
O livro é uma parte integrante do show e é essencial para quem quer entender a apresentação burlesca e gótica que Emilie faz com suas companheiras de palco, a quem ela chama carinhosamente de “Bloody Crumpets” (Crumpets são pães doces ingleses e Bloody significa sangrento em inglês). O livro descreve a ida de Emilie ao horrível Asilo e paralelamente conta a história de uma jovem vitoriana que é quase sua xará (Emily, com “y”) e que acaba num asilo para garotas onde acontecem coisas ainda mais horríveis do que as que a cantora viveu. Aos poucos vão surgindo na história referências ao que está nas letras das músicas de “Opheliac” e no show, como o rato Sir Edward, a Bloody Crumpet Naughty Veronica (Naughty = Malcriada), o urso Suffer (Suffer = Sofrimento), a cadeira de rodas, 4 horas e tudo mais.
Uma coisa importante a ser citada é a importancia das Bloody Crumpets.
Emilie não apenas criou uma personagem para si mesma, mas também criou várias personagens. Cada uma com sua história dentro do Asilo, assim como suas personalidades. Depois das criações, Emilie escolhe garotas para interpretarem tais companheiras, e também as ensina a cantar. Sim, todas as personagens que a acompanha eram pessoas que não sabiam cantar e agora fazer um mega show no palco, cantando e interpretando. Importante citar que o trabalho vocal da Emilie e de suas Bloody Crumpets representam quase 90% da importância das músicas.
Mais um ponto a favor delas, é que algumas foram integrantes de circo!!! Performances acrobáticas e com fogo dão um toque mágicos às apresentações.
“Naughty Veronica”
Naughty Veronica
“Capitã Maggot”
Capitã Maggot
“Blessed Contessa”
Blessed Contessa
“Lady Aprella”
Lady Aprella[
Momento do Show
E realmente é preciso assistir uma apresentação para entender exatamente do que se trata Emilie Autumn (há infinitos videos na internet, graças aos fãs). Ainda mais porque ela acredita que se alguém se dá ao trabalho de ir a um show, não quer simplesmente ouvir as músicas (algo que pode muito bem fazer em casa), por isso EA tenta apresentar algo que pareça mais com um musical da Broadway do que um concerto de Rock. Ela abusa de figurinos, encenações, cenários, suas Bloody Crumpets fazem apresentações circenses, ela tira quase todas as suas peças de roupa ao longo do show e completa com uma boa dose de “lady love” (amor de damas), como ela costuma dizer.
“Capitã Maggot e o bambole em chamas”
Capitã Maggot e o bambole em chamas
“Blessed Contesa comendo fogo”
Blessed Contesa comendo fogo
Emilie + Veronica = "inveja"
“Capitão Maggot brincando”
Capitão Maggot brincando
“Emilie atrás da cortina”
Emilie atrás da cortina
Pelo menos por enquanto, Emilie Autumn ainda é um nome desconhecido para a maioria aqui no Brasil. Mas podemos aplicar o termo “spread the plague” (espalhar a epidemia / praga / peste), que é frequentemente usado pela própria, aqui no nosso país para reunir uma quantidade suficiente de fãs, a quem ela chama carinhosamente de “plague rats” (ratos pestulentos).  Pra quem se assustou, fique sabendo que ela é fã de ratos! Afinal, ela disse ao PETA que os considera “criaturas inteligentes, que têm uma pesonalidade quase tão grande quantos seus corações e são capazes de dar mais amor do que muitas pessoas que eu conheço. E senso de humor também!“.
Emilie Autumn

Apenas uma carcaça vazia movida a engrenagens desconexas, que busca alívio nas palavras vãs de um desabafo doloroso.

One thought on “Emilie Autumn”

Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.
%d blogueiros gostam disto: