Conspiração e Disfarces

Conspiração e Disfarces

Estou cansada de correr, mas eles não param de me seguir. Já perdi a conta de quantos quarteirões já corri tentando despistá-los, mas parece que eles ainda conseguem sentir o meu cheiro.
Tá, eu sei que eu não devia ter quebrado a vitrine da loja, mas a mulher que estava lá estava sendo torturada, eu juro. Eu vi com estes meus olhos que um dia a terra há de comer, eu vi tirarem a cabeça dela e a coitada nem conseguiu reagir.
Eu não consigo entender essas pessoas… Deixam a mulher ser morta para correrem atrás de mim que tentei salvá-la…
Mas não tem problema, eu sei como resolver isso. Eu tenho as chaves mágicas aqui comigo, eu comando os mundos mágicos, a senhora dor portais.
Ei… Aquela ali não é a Senhora Mornington? Aquela mulher louca que eu internei no meu hospício?
Mas como ela conseguiu fugir de lá? Eu mesma a tranquei no quarto dela está manhã… E quem seria aquele homem com quem ela fala? Suspeito demais… Acho melhor me disfarçar de novo e averiguar essa fuga e essa conversa.
– Senhora Mornington: Ah senhor, mas tens certeza sobre a eficácia deste método?
– Homem com Sobretudo: Mas é claro, Mademoiselle. Não tenho esse nome à toa…
– Senhora Mornington: Mas ouvi dizer que teus problemas andaram aumentando.
– Homem com Sobretudo: Rumores sem fundamentos. Meus produtos são sempre infalíveis
– Senhora Mornington: Espero que esteja correto, não posso correr perigos com isso.
– Homem com Sobretudo: E não correrá, lhe asseguro com minha vida.
– Senhora Mornington: Já ouvi isso antes, mas pena que a pessoa foi obrigada a morrer…
– Homem com Sobretudo: Hahahaha… A senhora tem um senso de humor intrigante.
– Senhora Mornington: Eu não tenho nenhum senso de humor e só estou aqui para conferir a encomenda.
– Homem com Sobretudo: Calma calma, para que tanta pressa? Vamos sentar e beber algo no Lê Capuccino aqui perto?
– Senhora Mornington: Não tenho tempo para suas cantadas baratas, falso francês. Eu tenho que eliminar logo aquela garota antes que ela descubra tudo.
Mas o quê? Ela ta tentando se livrar de mim? Mas por quê? E o que ela não quer que eu descubra?
Melhor chegar mais perto…
– Homem com Sobretudo: A pentelha é tão perigosa assim?
– Senhora Mornington: Para meus planos, muito.
– Homem com Sobretudo: Nunca vi a senhora com tanto receio antes. Acho que deve estar seriamente…
– Senhora Mornington: Estou nada. E nada da minha vida lhe interessa. Se recolha à sua ignorante posição, trambiqueiro.
– Homem com Sobretudo: Língua afiada e resposta agressiva, acho que isso responde às minhas perguntas.
– Senhora Mornington: Chega de enrolação, conseguiu o produto que pedi ou não?
– Homem com Sobretudo: E desde quando eu não consigo algo que eu quero?
– Senhora Mornington: Não me interessa sobre suas cosias, apenas sobre as minhas. Onde está?
– Homem com Sobretudo: Primeiro o pagamento
– Senhora Mornington: Primeiro o produto
– Homem com Sobretudo: Sem pagamento, sem produto.
– Senhora Mornington: Sem produto, sem pagamento e com polícia nos seus pés.
– Homem com Sobretudo: Woah, calminha… Não precisa apelar, Senhora Mornington.
– Senhora Mornington: Não tenho paciência mais para suas enrolações.
– Homem com Sobretudo: Como deseja… (ele enfia a mão no bolso do sobretudo e retira algo para entregar à ela). Aqui está seu produto…
– Senhora Mornington: (com um frasco em mãos) Esse é tão bom quanto os demais?
– Homem com Sobretudo: Tanto quanto, talvez melhor, se me permite que me gabe.
– Senhora Mornington: Importante é que seja bom
– Homem com Sobretudo: Tudo em mim é ótimo, Mademoiselle. Até os produtos que vendo.
– Senhora Mornington: Cantada barata e sem criatividade. Já foi melhor nisso, Senhor Posh.
– Senhor Posh: Bom… Se me permite a observação, espero que da próxima vez, me convide para um encontro em um local mais adequado à sua pessoa. Esses becos mortos são nada atraentes e infestado de ratos.
– Senhora Mornington: Odeio o Senhor, e também odeio ratos.
– Senhor Posh: Então sugiro que não mais olhe para frente, ou irá me ver. Também não olhes para o chão à sua esquerda ou verá um rato (tom irônico).
– Senhora Mornington: Rato? Mataaaaaaaaaaaaa…
Ai que droga, me viram…
E começo correr em volta deles, esses sapatos podem ser mortais comigo nessa forma.
Isso, aquele monte de lixo, vou me esconder ali…
Ufa… Cansei. Ainda bem que eles foram embora. Ainda bem que ela não sabe que era eu disfarçada como rato. Ainda bem que ela não sabe nada de tudo que sei e posso fazer. Mas… Mas…
Como a minha paciente fugiu do quarto dela com tanto guardas meus vigiando? Quem era aquele homem e aquilo que ele deu pra ela? Ela tem algum segredo que estou prestes a descobrir.
A Senhora Mornington está na palma de minhas mãos!
Huahuahuahuahuahua
Hum? Quatro horas da manhã já? E eu estou aqui no meu quarto ainda… Não no meio dos sacos de lixo… Outro sonho premonitivo? Melhor eu ficar atenta com a Bruxa Mornington…
*Sim, cuidado com ela… Ela é perigosa e quer acabar com você*
Humm… Eu percebi amiga… Já percebi…
Ah meu querido ursinho Murdered… Só você e a Capitã me entendem…

((( Lady Fae no Asylum – Capítulo 03)))

 “A reprodução de todo o contéudo deste site é proibida de acordo com a lei 9.610, com penas que podem chegar a 4 anos de reclusão, por violação ao direito autoral, também pode ser imputado o crime de falsidade ideológica”

Apenas uma carcaça vazia movida a engrenagens desconexas, que busca alívio nas palavras vãs de um desabafo doloroso.