Aceitação

É difícil dizer para alguém que a pessoa não deve ser definida por sua doença. Na verdade, acho que isso é fácil de ser dito, mas é muito difícil se ouvir.

Posso dizer que é impossível não ser rotulado por sua doença, mesmo por si próprio, quando tudo que você faz e ouve está fortemente ligado a isso. Não existe uma parte de sua vida que você a viva como qualquer outra pessoa faz, pois até mesmo o detalhe mais insignificante que passaria completamente despercebido, é é ajustado de alguma maneira, sem que você possa perceber. Ou mesmo as pessoas de fora de sua redoma se deem conta dessa alteração que fazem involuntariamente ou não.

E então existe sempre a dúvida que lhe atormenta, a questão do que você pode ou não utilizar para definir a si mesmo, se não por alguma coisa que te afeta mais do que qualquer outra influencia que sua vida possa ter, se ela ainda tiver alguma.

Essa depressão me envolve de tamanha maneira que por vezes chego a acredita que ela é minha própria pele. sim, ela é minha pele, mas também é meu sangue que sempre é expulso ao entrar em meu coração. Sim, eu acho que ainda tenho um coração que me pertence e esta certeza somente posso ter graças à esta dor angustiante em meu peito todo dia…

Se eu fosse uma assassina e tirasse a vida de alguém, acho que nem receberia tanta desaprovação… Talvez pois todo mundo sempre nutre pensamentos que se aproximam disso, onde a raiva é tão grande que se imaginam matando a pessoa ou verbalizam tal. Mas quando se fala sobre suicídio, ninguém tenta compreender. não existe empatia ou compreensão, apenas repulsa e indiferença.

É algo natural, genético. Assim como os pequenos pintinhos recém nascidos entrem em desespero quando a sombra de uma águia passo sobre suas cabeças. O pânico os domina, mesmo sem nunca terem encontrado uma águia antes, sem nunca terem sido ensinados à teme-las. Ou mesmo nosso temor por cobras e aranhas, mesmo sem nunca termos sido picados, o temor é algo inevitável. Ninguém nos ensinou a temer essas coisas, mas isso sempre este aqui dentro desde nosso nascimento, um medo natural. Somos assustados pelas mesmas coisas…

Talvez essa repulsa natural pelo suicídio seja para dizer “não o faça”, o modo que conhecemos de ser e como não ser.

Se fossemos mais abertos à compreensão das coisas, se saíssemos mais de nossas zonas de conforto, pudêssemos temer menos. E assim poderíamos encontrar uma brecha da lei que diz que não podemos nos matar.

Pode até não ser muito sábio de nossa parte aceitar um suicídio, mas é menos sábio tentar entender as razões da pessoa que busca esse alívio, essa salvação.

E pensar que sempre nos dizem que devemos aceitar a morte quando ela nos chama. Mas não aceitam, nunca…

 

 

Aceitação

Apenas uma carcaça vazia movida a engrenagens desconexas, que busca alívio nas palavras vãs de um desabafo doloroso.

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