A Morte e o Homem

A Morte e o Homem

Tudo que dizemos e fazemos é impregnado pelo cheiro da morte. A vida sempre é desprovida de sentido e objetivo, sendo pouco mais que uma jornada ao Limbo. A dor simplesmente não desaparece. Nosso medo da morte se torna um medo do pesadelo.O terror da moralidade ocupa tanto a nossa existência que não conseguimos viver. Ele também nos atormenta tanto que a fuga assume uma importância extraordinária. Encontramos refúgio em grandes quantidades de entretenimento, drogas e sexo. Alguns encontram o refúgio na própria morte…Somos covardes, amedrontados demais para pararmos de fugir e começarmos a fazer perguntas.O medo da morte sustenta toda uma série de terrores e dependências. Os nossos maiores medos se alimentam de nossos sentimentos de imperfeição e inadequação. Ressentimo-nos de nossa incapacidade de abraçar a vida como deveríamos e odiamos a influência que nosso medo da morte exerce sobre nós. Claro, é a morte: o medo imortal do nada.

Somos, todos, sombras e luz, animais e humanos, corpos e mentes. A mente tem razões que o corpo desconhece, embora ele possa sentir e reagir. Ainda assim, o corpo tem uma lógica própria, que nem sempre se superpõe à lógica da mente. O corpo existe num mundo siferente da mente, um reino de instinto e emoção.A existência animal é baseada em padrões. A sobrevivência e a reprodução são os propósitos desses padrões programados para a evolução. Uma mudança de padrão significa perigo. Mudanças num padrão de caçada, alimentação, cópula ou migração pode indicar a chegada de um predador, uma avalanche ou uma escassez súbita de alimentos. Para um animal, a mudança é um aviso de que a morte espreita na esquina.Nossos corpos animais continuam reagindo dessa forma, mesmo quando sabemos que a morte não está próxima! Qualquer tipo de mudança pode evoca este medo instintivo. A mente pode reprimi-lo, ignorá-lo ou mesmo apressar a mudança, mas a sombra do corpo animal sempre faz sentir sua presença. O medo é uma parte da vida. É a sobrevivência.
Os animais são máquinas de sobrevivência. Cada criatura é um pináculo da evolução, cada uma possuindo uma capacidade de temer profundamente. Cada um de nós está aqui porque cada fibra de nosso ser está imbuída com uma vontade de fugir ou correr ao menor sinal de problemas. O que foi um dia nossa salvação, hoje é nossa sentença.
No mundo moderno, a morte não precisa ser tão temida… Mas diga isso ao seu corpo. Saber quem está pulando em sua direção não detém o fluxo de adrenalina. O medo do corpo se choca com as aspirações da mente e da vontade, Nós matamos nossas aspirações e esperanças por medo, medo de que a morte chegue.Nós preferimos a insatisfação interna ao medo irracional da morte. Ao fazer isso, tornamo-nos menos completos. Desistimos da vida para abraçarmos o niilismo. Abraçamos o nada, o próprio Limbo. A ironia trágica de nossas vidas é que morremos sem jamais termos realmente vivido.

Que desperdício.

Que pena.

Apenas uma carcaça vazia movida a engrenagens desconexas, que busca alívio nas palavras vãs de um desabafo doloroso.