A Lady de Shallot (Versão para Mulheres)

Uma bela lady amaldiçoada, foi condenada a viver na mais alta torre do Castelo de Shalott, uma bela ilha mística próxima à Camelot.

A maldição era simples, porém diabólica, a pobre moça, caso olhasse pela janela, teria seu sangue congelado e morreria em poucas horas. Era condenada a passar o resto de seus dias olhando por um espelho que refletia o mundo lá fora, o mundo que nunca poderia alcançar, um mundo que parecia ser diferente daquele onde ela vivia, era vivo, colorido, havia pessoas e coisas há se fazer, e ela sabia, que nunca poderia fazer parte dele.

Anos se passaram com seus olhos no espelho, tentava ver o que se passava fora de seu castelo. Ela podia ouvir as pessoas que passavam contarem lendas, estórias, também novidades de Camelot, que era o que mais lhe interessavam.

Um dia, um homem com armadura chamou-lhe a atenção, estava em seu belo cavalo indo em direção à Camelot.

Ela sabia, podia reconhecer pelas descrições que ouvira de outras pessoas que ali passavam, era ele, o incrível, o famoso, Sir Lancelot.

Se um dia ela havia pensado em amor, com certeza não acreditava que tal sentimento pudesse atingí-la como uma espada no peito, assim como carregava o homem que tantas vezes mais, passou por aquele caminho, passou por aquele espelho, passou pelos pensamentos daquela jovem Lady.

Os dias se passavam, e Lancelot continuava a repetir o mesmo caminho que passava em frente a pequena ilha de Shalott. Claro, ele nunca poderia vê-la, ela nunca poderia olhar pela janela, ela foi esquecida pelas pessoas, havia tornado-se uma triste lenda.

A Lady esperava em frente ao espelho todos os dias para ver seu amado, mas o tempo foi cruel, mais cruel do que tê-la tornado uma lenda, o tempo carregou a ansiedade para ser sua nova companheira.

O anseio tornou-se desespero depois de ver tantas e tantas vezes sua face refletida, seus olhos tão intensos e vivos, sua pele tão macia, tudo tão perto e tão longe. Seu coração já não aguentava mais tanta dor, tanta vontade de encontrar seu amado caveleiro. A maldição já não existia em sua mente, apenas Lancelot existia e apenas a vontade de vê-lo restou em seu corpo.

Em uma tarde fria, quando crepúsculo já estava no auge, ela o esperava passar pelo mesmo caminho, segurando seu peito, para que seu coração não explodisse de dor.

Lá estava ele, tão confiante e não muito apressado, foi quando um raio do sol, que já estava patindo, bateu no espelho dentro do alto da torre e refletiu em seus olhos de esmeralda.

Ele parou, desceu do cavalo,e observou a torre, ficou por alguns minutos. Minutos esses, suficientes para que a Lady de Shalott surtasse, ela gritou, e atirou coisas pela janela, mas ele não conseguia ouví-la, não conseguia ver o que ela jogava, afinal, eram apenas objetos de costura, pequenos demais para que ele pudesse notar algo diferente.

Logo o Sir estava sobre seu cavalo, e partia mais rápido para Camelot.

Ela não podia acreditar. Por alguns minutos, ela pode ver a face de seu desejado cavaleiro procurando por ela. Não podia deixá-lo ir, a dor rasgava seu coração nada mais a ela importava.

Sabia que era amaldiçoada, e que não duraria muito tempo, mas ela precisava tentar, não podia ver seus sonhos serem despedaçados sem ao menos tentar construí-los.

A Lady vestiu seu melhor vestido, e deus adeus para seus pertences, pegou uma adaga e amarrou-a em sua cintura. Antes de partir, ela olhou pela última vez para o espelho, agarrou-o e estilhaçou-o no chão.

Ela desceu rápido as escadas, abriu a porta e pode respirar a liberdade.

Subiu em um pequeno barco e talhou em seu lado esquerdo “Lady of Shalott”, afinal, a pobre não poderia ser para sempre uma lenda. Foi difícil, seus braços acostumados a costurar não se adaptaram nada bem com os remos, e ela podia sentir o sangue congelando em suas veias. Olhou para o céu, as estrelas ineptas a observavam num lento desmaio cair sobre as águas gélidas e tenebrosas do mar.

“Lady de Shalott, Lady de Shalott”, dizia uma voz em sua mente. ”É chegada sua hora, hora de enfrentar seu destino e estar ao lado de outras meninas que cometeram um romanticídio”

“Quem é você?”, dizia com muitos esforço a Lady.

“Eu sou a Grande Deusa, venha comigo, posso te mostrar Avalon, Thule, ou qualquer outra ilha mágica, onde você possa ser feliz.”

“Não, por favor, não! Dê-me outra chance, eu amo Lancelot, e mesmo que ele seja minha morte, quero tentar encontrá-lo.”

“Pobre menina, você sabe muito bem o que anseia. Pois bem, irei conceder-lhe uma oportunidade. Retirarei sua maldição, até o por do sol, mas deve conseguir um beijo como prova do amor dele por ti, se não conseguir, volte imediatamente para o castelo e não olhe para fora da janela da torre”

Depois de um breve momento de silêncio, a voz tremida da Lady soou um “Aceito”.

Um “obrigada” soou como eco em sua mente em resposta a oferta da Grande Deusa.

Foi então que ela percebeu que não era mais tarde, nem noite, era um amanhecer diferente de todos os que havia visto, podia ver o chão, que estava muito perto de seu rosto, a areia havia entrado em seu corpo e ela estava terrivelmente molhada, as ondas batiam em seu vestido e seus olhos e garganta ardiam. Foi difícil ficar de pé. Pela primeira vez ela podia sentir a dor de ferimentos físicos. Uma vez ou outra se furava com a agulha, mas desta vez era diferente. Seus braços e joelhos estavam sangrando e ardiam com a água salgada lavando-os. Não se entristeceu, apesar da dor, os ferimentos a faziam sentir-se viva.

O sol nascia ali, bem diante de seus olhos enquanto caminhava para Camelot.

Observava com curiosidade todas as espécies de planta, e de pequenos animais da pequena floresta que abria caminho para a cidade.

Caminho foi longo, confuso, se perdera várias vezes, fazia sentido as pessoas irem a cavalo, mas ela chegou, levou quase o dia todo e agora estava apressada. Podia ver um vilarejo e várias pessoas trabalhando, conversando, crianças correndo e cavaleiros entando em uma taverna.

Os seguiu. Eram cavaleiros, ele só poderia estar lá. Não faltava muito para o por do sol.

Quando entrou na taverna, vários homem feios, imundos e mal cheirosos a encaravam com sorrisos maliciosos, palavras grosseiras sobravam, seus halitos eram fétidos e a cada segundo que passava o coração daLady latejava em dor e ansiedade.

Então, era ele, estava ali sentado, envolvendo com seus braços forte duas garotas lindas e bem vestidas. Havia começado a beber, não podia estar bêbado.

A coragem parecia faltar para ela, mas o tempo se esgotava. Inflou os pulmões e se aproximou. “Com licença, meu senhor, gostaria de falar-lhe em particular.”

Lancelot arregalou os olhos e riu com desdém.

“Eu, conversar assim, tão facilmente com uma plebéia?”

“Desculpe, senhor, não sou uma plebéia, eu sou a Lady de Shalott”

Foi quando todas as pessoas dentro daquele lugar podre pararam, tudo ficou em silência por alguns segundo, que em seguida foram quebrados por gargalhadas.

“Shalott? Hahaha, a lenda da bela Lady trancafiada em uma masmorra?” Disse um velho gordo.

“Tolice!”, disse uma das garotas que acompanhavam o Sir que mergulhava seus lábios em cerveja dizia:

“Desculpe minha cara, você não está exatamente apropriada como uma Lady, então, se me der licença…” ele agarrou uma das garotas que o acompanhava na bebida.

Ela saiu, correu, ainda podia ouvir asrisadas deixadas para trás, mas o que não podia deixar, era toda a dor, a dor que renascia em seu peito, ela não sabia o que fazer, além de retomar o caminho devolta para o barco e remar para a ilha de Shalott. Estar viva era incrivelmente bom, não podia deixar um cavaleiro, mesmo que o amasse platonicamene, tirar-lhe a única coisa que restava.

Correu, tropeçou, caiu em meio as pedras, o barro e as plantas da floresta. As lágrimas dificultavam sua visão e atrapalhavam demais sua corrida. Seus joelhos ardiam e a cada passo que dava, podia sentir o sangue quente escorrer por eles.

Quando finalmente chegou a praia, novamente o crepúsculo estava lá, presenteando-a com uma visão incrível. Podia ver seu castelo, sua torre, podia ver também alguns pedaços de madeira espalhados pela praia. As águas do mar haviam destruído seu barquinho e os remos, ela não sabia o que fazer, e as estrelas já podiam espiá-la.

O frio tomou conta de seu interior, ela se deitou na areia, e sentiu o calor das águas noturnas, observando os salgueiros balançando com o vento, ouviu passos em sua direção, seus olhos se encontraram pela última vez, com um par de olhos de esmeralda.

E o mar presenteou Sir Lancelot, que havia a seguido para se desculpar com um pedaço de madeira. Nele havia sido talhado um nome “Lady of Shalott”.

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Está é apenas uma obra de ficção, que não busca realizar fortes críticas sobre machismo, feminismo, buscando apenas ser um texto de leitura “agradável”.

Apenas uma carcaça vazia movida a engrenagens desconexas, que busca alívio nas palavras vãs de um desabafo doloroso.

One thought on “A Lady de Shallot (Versão para Mulheres)”

  1. Os que merecem elogios são os que melhor sabem suportar as censuras. Lady Fae, adoro suas poesias…E sua serie de contos doentios e distorcidos de sua personagem como eu disse fluem em minha mente..quando eu leio, não só leio mas vejo em o vazio de meus semtimentos!
    Parabéms querida..Dezejo muito sucesso para voce( quer dizer: nem presiso dezejar sucesso voce já tem…!
    Kisses de sua nova amiga Miss Kidnnapper.