A Floresta Japonesa dos suicídios – Aokigahara

Aokigahara (青木ヶ原) é uma floresta de cerca de 35 km² situada na base do Monte Fuji. É também chamada de Jukai (树海) que significa “Mar de Árvores“, mas também é chamada de outros nomes como Floresta Maldita, Floresta Negra e Floresta de Suicídios“, pois é um dos locais mais procurados por suicidas no Japão e o 2° local do mundo onde se cometem mais suicídios, perdendo somente para a Ponte Golden Gate, em São Francisco, no estado da Califórnia, EUA.

Todos os anos são encontrados de 70 a 100 corpos na Floresta Aokigahara, fora os que se acredita estar ainda na floresta e que ainda não foram descobertos. Por causa desse fato perturbador, a floresta ainda é tida como “assombrada” e possui muitas lendas sobre fantasmas (yurei), que seriam os espíritos dos suicidas, além de monstros e demônios da mitologia japonesa que vivem na floresta.

Também dizem que as rochas da montanha contêm grandes depósitos de ferro que provocam erros nas bússolas, fazendo com seja extremamente fácil as pessoas perderem-se no meio da floresta. Contudo, estas lendas são falsas, pois o campo magnético gerado pelo ferro é demasiado fraco para ter um efeito significativo.

Além disso, as forças militares do Japão e dos Estados Unidos fazem exercícios de treino regularmente na floresta, durante os quais o GPS, as bússolas e os outros aparelhos eletrônicos de orientação funcionam perfeitamente.

Devido à grande quantidade de árvores que bloqueiam a claridade e uma ausência de vida selvagem, a floresta é assustadoramente sombria e silenciosa. Talvez por isso que seja considerada por muitos como o “o lugar perfeito para morrer”, o que deixa a floresta mais aterrorizante do que já é. Curiosamente, embora pareça ser um daqueles lugares que poucos desejam visitar, a floresta cheia de lendas e mistérios tem atraído muitos curiosos até lá.

Segundo contam, o local ganhou uma grande popularidade por causa de um romance da escritora Seicho Matsumoto, publicado em 1960, chamado Kuroi Jukai (Mar Negro de Árvores, numa tradução livre). A história bem ao estilo Romeu e Julieta, termina com o casal de namorados se suicidando naquela floresta.

Embora tenha ocorrido um aumento de suicídios após o romance ser publicado, há evidências claras de que muitos antes disso, a floresta já era associada com a morte.
O Ubasute (姥捨て) por exemplo, uma tradição japonesa muito praticada durante o século 19, que consistia em levar idosos e doentes para uma floresta ou alto de uma montanha, deixando-os lá até que morressem de fome ou de frio.

A Floresta possui tantos corpos que a Yakuza paga desabrigados para que entrem na floresta e roubem os cadáveres. Como a floresta é muito densa, dificulta a polícia e autoridades na procura de corpos. Medidas preventivas vem sendo tomadas afim de reduzir o número de mortes e assim perder o título nada agradável.

Desde 1950, o local registra todos os anos ao menos 30 suicídios. Em 2002, 78 corpos foram encontrados, substituindo o recorde anterior de 73 em 1998. Em 2003, a taxa subiu para 100, porém nos últimos anos o governo local parou de divulgar os números, com o objetivo de desvincular a floresta com o termo suicídio.

Em 2004, 108 pessoas se mataram na floresta. Em 2010, 247 pessoas tentaram o suicídio na floresta, 54 das quais foram bem sucedidos. Em 1970, a alta taxa de suicídio levou um grupo de pessoas constituídos por policiais, voluntários e jornalistas a fazerem uma busca anual na floresta em busca de desaparecidos.

As autoridades também passaram a colocar várias placas e cartazes na floresta, escritas em japonês e em Inglês, pedindo para que as pessoas que tenham ido até ali para cometer suicídio, procure ajuda e não tire sua própria vida. Também existe um projeto de realização de palestras de alerta em escolas e empresas.

Além do governo, algumas empresas têm criado projetos para tentar conter os suicidas. Um exemplo seria a instalação de lâmpadas azuis em algumas plataformas de estações de trem da Companhia Ferroviária Keihin Electric Express. Segundo a empresa, a cor teria o poder de “acalmar” as pessoas.

E por incrível que pareça a estratégia vem dando certo, pois desde que as lâmpadas foram trocadas, não ocorreram mais suicídios naquelas plataformas. Outras companhias ferroviárias estão seguindo o exemplo e também começaram a instalar as lâmpadas azuis para realizar um período de experiência.
Apesar de muita coisa estar sendo feita para conter o alarmante número de suicídios Porém, o problema é de difícil solução, pois o suicídio é visto como uma opção honrosa pela sociedade japonesa em geral, principalmente nos casos de homens que não conseguem mais garantir o sustento da família e daqueles acusados de corrupção.

Como sabemos, a associação do Japão com o suicídio é historicamente muito antiga. Os samurais tinham a tradição de se matar em nome da honra em um ritual chamado de Sepukku. Tinha ainda os Kamikases, que participavam de operações suicidas durante a Segunda Guerra Mundial. E o pior é que tanto o budismo e o xintoísmo, as duas religiões mais comuns no Japão, são neutras nesse assunto.

Infelizmente, os casos de suicídios no Japão continuam, inclusive com crianças e adolescentes que sofrem Ijime, por jovens em épocas de vestibular ou contratação de empregos ou em adultos que estejam desempregados. O Karojisatsu que se caracteriza por suicídios causados por condições estressantes no trabalho também é um fator agravante para o aumento de suicídios no Japão.

 

Caso tenha mais interesse, recomendo este vídeo de um documentário muito detalhado.

 

As fotos abaixo foram cedida por Igor Coelho:

 

 

 

 

 

 

A Floresta Japonesa dos suicídios – Aokigahara

Apenas uma carcaça vazia movida a engrenagens desconexas, que busca alívio nas palavras vãs de um desabafo doloroso.

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